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O receio de encarar a manutenção foi devargarzinho substituído pela certeza de que criei habilidades para enfrentar essa jornada. Se pequei? Lógico. Ninguém é de ferro. Duas viagens e as medidas se ampliaram um pouco, o que classifico como absolutamente normal. Tropeços? Nenhum. Especialmente porque entendi que o sucesso de todo o processo, na verdade, sempre dependeu somente de mim e de minha determinação em seguir instruções; se não posso negociar, não faço escolhas (porque já procuro pré-determinar meus atos), não dramatizo, SOFRO, me angustio, mas sigo; nem é simples assim, mas a gente cria artifícios para dominar os pensamentos. Conversei, como nunca!, comigo mesma.Tive que ser dócil com o tratamento, porque de nada adiantaria ir de encontro aquilo que só me fazia bem. Se tenho autocontrole? Tento. Muito. Juro. Com todas as minhas forças. No dia que tiver isso, terei chegado no meu destino, porque a conquista atual é, tão somente, parcial.
Desejo, de coração, entrar numa padaria e não ter as pupilas dilatadas e os batimentos cardíacos acelerados. Isso AINDA não foi possível, mas tenho curtido bastante ser alguém que faz escolhas saudáveis. Olhar-me no espelho tem sido sinônimo de alegrias. Mesmo grande, larga (seja lá como falam de mim na rua!), e fora dos padrões de beleza que se prega, sinto-me bem, porque bonito não é ser igual, é ser autêntico. Emagrecer não foi simplesmente “voltar para casa”; emagrecer foi criar um lar de afeto e carinho comigo mesma. Passei a me botar no colo, a cuidar de mim. Fiz acontecer, porque a única coisa que cai do céu é chuva; e a única que coisa que se ganha sem esforço é PESO!
Há cerca de um ano, meio que obrigada, tive meu primeiro contato com a clinica. Lembro-me como se fosse ontem o trabalho que dei para atendente na minha primeira entrevista. Depois de muito sacrifício, ela chamou Moema para ajudá-la. Ajudá-la com uma menina implicante e insistente que teimava em dizer que nada daquilo fazia sentido. Que não era possível nem saudável, quanto menos aceitável se propor a uma dieta tão restritiva quanto aquela. Moema lançou-me um desafio e disse: venha e conheça. Foi então que, movida por esse desafio, eu comecei o tratamento e passei a dar trabalho não só para a atendente, como para toda a equipe de profissionais, pois afinal eu jurava de pé junto que meu peso não era um problema.
Eu estava com 80 kg, usando manequim 48, me sentindo a pior das mulheres, não conseguia nem olhar no espelho. Me sentia cansada , indisposta e comia tudo que passava na frente, não sabia viver sem os doces, chocolates e fast-foods.
Eu sempre fui gordinha, uma criança gorda e gulosa, uma adolescente cheinha, que vivia de dieta, uma adulta que vivia engordando e emagrecendo, com um sobrepeso que sempre me incomodou muito. Nunca me aceitei como uma gorda assumida e feliz. Me sentir gorda sempre foi motivo de mau humor, me ver vencida pela comida sempre gerou longos períodos de introspecção e gasto de energia mental.
“Emagreci dez quilos em dois meses, pode parecer pouco, mas estes quilos não devem ser minimizados. Devemos aprender que 10 quilos a mais é um montão. A diferença para 80 quilos a mais é só um número, porque no momento de sentir, sentimos o mesmo, independentemente dos quilos a mais que temos que reduzir…”
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