Entrevista: Moema Soares


Moema Soares

A medida certa para ser magro

Se resolveu que é hora de se livrar de vez dos incômodos quilos extras, a dica é, antes de deixar de comer em excesso, aprender a ser magro. Isso requer uma mudança de relação com a vilã mais desejado do mundo: a comida.

Toda vez que a calça aperta e a balança aponta para os quilos a mais, é hora de repetir a velha promessa de iniciar uma dieta na próxima segunda-feira. A expectativa é de deixar de comer tudo que é gostoso para, enfim, fazer as pazes com o espelho. No meio do caminho, no entanto, não são poucos os que vacilam e aumentam o time das vítimas do efeito “sanfona”. O antídoto, segundo a empresária Moema Soares, à frente do Centro Terapêutico Máximo Ravenna Salvador, é investir numa mudança de comportamento diante da comida. Esse é o foco do método praticado na sua clínica, por meio de um tratamento que corta os carboidratos refinados e tem como alicerce os grupos terapêuticos, que ajudam cada “gordinho” a resignificar o valor exacerbado dado ao alimento.

PERGUNTAS

1 – Uma das características do método Ravenna é a retirada do carboidrato e do açúcar. O que é permitido comer durante o tratamento?

São cortados os carboidratos refinados. E, em pequenas medidas, são permitidos alimentos de baixo índice glicêmico, entre proteínas, frutas, verduras e laticínios.

2 – Porque é tão importante retirar os carboidratos refinados incluindo o açúcar?

Porque esse tipo de alimento gera compulsão alimentar, são alimentos que, quanto mais são ingeridos, mais vontade de comer se tem. Se pão tirasse o apetite, os restaurantes jamais ofereceriam cestas e cestas de pães de entrada. Em outras palavras, podemos dizer que os carboidratos refinados, uma vez ingeridos, disparam a secreção de insulina que gera a sensação de fome.

3 – E quais são os carboidratos permitidos?

Trabalhamos com os carboidratos complexos, de boa qualidade, presentes em frutas e verduras. Não se trata de uma dieta protéica.

4 – Durante o tratamento, os pacientes freqüentam grupos terapêuticos. Qual a função dos grupos?

O grupo é o espaço onde os pacientes dividem seus sucessos e insucessos. É lá que, apoiado por psicólogos da clínica, e por outros pacientes que estão na mesma situação, ele sustenta sua decisão de emagrecer. É nesse espaço, também, que os pacientes expõem o seu padrão de relação com a comida e passam a resignificar esse valor exacerbado dado ao alimento. E cada paciente, ao ver que o outro consegue, tem nesse “espelho” um fator de motivação e comprometimento com o tratamento.

5 – Existem outros tratamentos de emagrecimento conhecidos que se apoiam na terapia de grupo. Qual a diferença do método Ravenna?

São características marcantes do Ravenna primeiro a rapidez na eliminação do peso e o fato de, nos nossos grupos, o paciente não precisar revelar o seu peso sempre são coordenados por terapeutas, como mediadores e orientadores, não se fala de comida e sim de vida. O mais importante para nós é que ele se aproprie do conceito de limite e que ele deseje trocar a comida por uma nova e positiva expectativa diante da vida.

6 – E porquê a perda é rápida?

Trata-se de uma dieta de baixas calorias, numa quantidade abaixo do que o corpo necessita por dia, o que leva o organismo a queimar a sua própria reserva de gordura. A combustão da própria gordura pelo corpo não apenas possibilita um emagrecimento rápido como dispara uma mensagem de saciedade ao cérebro, que não torna a dieta sofrível. Tem pacientes que nem sentem vontade de comer tudo que é permitido comer durante o tratamento. Além disso, o tratamento provoca uma melhora muito rápida das taxas metabólicas do paciente.

7 – Como é uma refeição método Ravenna?

Nossas refeições são fracionadas, primeiro é servido um caldo quente que tem a função de frear a ansiedade com que a pessoa chega à mesa, depois é servida uma salada verde e, a seguir, o prato principal, que inclui uma proteína e um acompanhamento, que pode ser purê de abóbora, suflê de cenoura, legumes no vapor, entre outras opções. Daí vem a sobremesa, que pode ser uma fruta ou uma gelatina, e um café. Uma das finalidades é resgatar ao ritual das refeições, saindo do estilo fast food.

8 – A gente ouve muito falar de efeito rebote das dietas de perda rápida. No Ravenna, se fala muito em manutenção do peso a longo prazo. Como isso acontece?

O recente Congresso Mundial de Obesidade, realizado em Estocolmo, concluiu que as dietas de baixas calorias e de perda rápida são as estratégias mais eficazes para o paciente conseguir reduzir de peso e manter. Acreditamos que a dieta rápida é a única forma de o paciente ter aderência ao tratamento. Com a perda lenta, não se consegue mantê-lo em tratamento, sobretudo os que precisam perder mais de 30 qquilos de sobrepeso. Se este paciente perde um a dois quilos a cada mês, dificilmente vou conseguir que ele se mantenha em dieta até alcançar sua meta. Ao perceber o emagrecimento como algo real, ele segue em frente, alcança seu objetivo e se esforça em mantê-lo.

9 – Como se dá a prática da manutenção?

A gente entende que a manutenção é uma fase que está dentro do tratamento, por isso também existem grupos terapêuticos de manutenção. Todos os alimentos são permitidos nessa fase. O desafio de cada paciente é definir quais são suas medidas permitidas para prosseguir a vida normal sem ganho de peso, num padrão alimentar que será referência para o resto da vida. Todo paciente em manutenção se pesa todos os dias, tem a atividade física incorporada no seu dia-a-dia e opta por uma alimentação de melhor qualidade. A gente considera o método com uma escola de aprender a ser magro.

10 – Você, como paciente que emagreceu, 47 quilos com o método, qual foi o maior benefício do tratamento em sua vida?

Primeiro resgatar o meu poder de decisão, transformar a energia gasta em frustração em energia de realização e, depois, não precisar começar uma nova dieta toda segunda-feira. (risos)

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