Estresse engorda



Situações-limite provocam mudanças no organismo que podem aumentar a fome

Pode parecer desculpa de gordinho, mas o estresse está longe de ser apenas uma justificatica para quem busca explicar a causa do ganho de peso excessivo. Basta dizer que a ansiedade é a manifestação mais nítida deste estado, que pode ter ordem física (um ferimento, uma fratura) ou psicológica (pressões no trabalho, perda de um ente querido). Muitas vezes a compulsão alimentar acontece nesse período, e esse fenômeno tem uma explicação científica.

“Submetido a situações de estresse, o corpo fabrica uma substância chamada cortisol (ou cortisona – hormônio do estresse) que estimula o aumento das células de gordura (adipócitos) em número e em tamanho, especialmente em região abdominal. Isto provoca um estado inflamatório que, por alterações metabólicas diversas, acabam por aumentar o apetite. O estresse aumenta a fome em casos onde há estimulo associativo com alimentos”, explica o psicólogo da Clínica Ravenna Salvador, Diogo Montal.

Nesses casos, ao estar exposto a fatores que desencadeiam o estresse, tais como, passar em um concurso, estudar para uma prova, término de relacionamento ou batida de carro, o indivíduo com estresse associativo com alimentos, recorre a estes objetos-comida, como forma de conseguir um desligamento momentâneo da real fonte problemática, tendo como resultado o desvio da uma conduta adequada.

“Os alimentos gratificantes e altamente palatáveis, como, sal, gordura e açúcar, produzem uma reação cerebral instantânea, derivada principalmente do carboidrato refinado, isto é, de rápida absorção e baixo poder de saciedade. Assim, são produzidos dos neurotransmissores serotonina, dopamina e noradrenalina, sensações de bem estar, disposição, elevação de humor e prazer. Um ciclo deteriorante pode ser entendido com a capacidade excitatória do estresse, culminando em rápida ingestão de alguns destes alimentos, gerando uma ilusória e efêmera quietude”, explica o psicólogo.

Segundo ele, não se deve avaliar o assunto de forma generalista, devendo cada caso de sobrepeso ser avaliado individualmente. Ainda assim, é importante assumir a disseminação do fenômeno que associa estresse e obesidade como um sintoma social.

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