Entender os rótulos nutricionais é premissa para um consumo consciente
Espessantes,estabilizantes, amido modificado, açúcar invertido, carboidratos, açucares,glúten, calorias… Não é mesmo fácil decifrar os rótulos nutricionais. Por isso, eles foram o tema da última Oficinade Nutrição na Clínica Ravenna de Salvador (dia 15.2.13), com palestra ministrada pela nutricionista Cecília Rios.
Para iniciar a apresentação, Cecília realçou a importância de entender os rótulos nutricionais para identificar os alimentos adequados à determinada finalidadede consumo, assim como aprender a identificar informações determinantes na decisão da compra. “Ao entender os rótulos dos alimentos, também podemos verificar se as alegações dos fabricantes sobre as propriedades nutricionais dos alimentos estão fundamentadas com as tabelas de valores apresentadas”.
Vale lembrar que a rotulagem nutricional é obrigatória a todos os alimentos e bebidas produzidos, comercializados e embalados na ausência do cliente e prontos para oferta ao consumidor. No entanto, a presença de rótulos é opcional em itens como águas, bebidas alcoólicas, especiarias, frutas, vegetais e carnes in natura, sal de cozinha, café, ervas, chá, e alimentos preparados em restaurantes prontos para consumo.
Para começar a entender os rótulos, é preciso saber algumas siglas e critérios de apresentação. Os ingredientes, por exemplo, devem ser apresentados em ordem decrescente de quantidade, isto é, os primeiros estão sempre em maior abundância. Ainda, quanto mais extensa a descrição dos ingredientes, maior o conteúdo de aditivos alimentares que comumente conferem sabor, cor, textura e estabilidade ao produto. Nas tabelas de apresentação das informações nutricionais devem estar declarados, obrigatoriamente, o valor calórico, a porção de referência, medida caseira, carboidratos, proteínas, gorduras (totais, saturadas e trans), fibra alimentar e teor de sódio, juntamente com seus valores diários relativos (VD%) a uma dieta de 2000 calorias. Ainda, a ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) incentiva os fabricantes de alimentos a dispor nos rótulos as informações referentes ao conteúdo de colesterol, cálcio e ferro, desde que o produto apresente quantidade igual ou superior a 5%.
Traduzindo para a prática, uma “Porção” é a quantidade média do alimento que deve ser usualmente consumida por pessoas sadias para uma alimentação saudável. Para o leite desnatado, por exemplo, na maioria das vezes é sugerido consumo de duas colheres de sopa.
A palestra também abordou a classificação dos alimentos quanto ao conteúdo de nutrientes. Alimentos isentos em algum atributo, na maioria das vezes açúcar, apresentam a nomenclatura “Diet”, “Zero” ou “Não contém”. Já os “Lights” devem apresentar pelo menos a redução de 25% de determinado atributo em relação ao mesmo alimento na sua versão original, seja ele em calorias, gordura, açúcar ou sal.
Cecília aproveitou a ocasião para apontar algumas novas regras para os rótulos de alimentos, aprovadas no final do ano passado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, e válidas para todos os países que integram o MERCOSUL. Os fabricantes de alimentos têm o prazo de até janeiro de 2014 para atender às novas exigências para rotulagem no que diz respeito à alegação de propriedades nutricionais. Por exemplo, um alimento light deverá apresentar no rótulo, obrigatoriamente, tabela nutricional comparativa ao alimento convencional, para assegurar que, de fato, há a redução de pelo menos 25% de um dos seus ingredientes. A tabela abaixo resume alguns atributos que devem ser observados, frente à alegação de propriedades nutricionais:
| Baixa caloria | Máximo de 40 kcal por porção |
| Fonte de fibras | Mínimo de 2,5 g por porção |
| Alto conteúdo de fibras | Mínimo de 5 g por porção |
| Não contém gordura trans | Máximo de 0,1 g por porção |
| Fonte de proteínas | Mínimo de 6 g por porção |
| Alto conteúdo de proteínas | Mínimo de 12 g por porção |
“Com a nova legislação, haverá novas marcações alertando sobre os riscos que os alimentos podem causar, no intuito de ajudar o consumidor a fazer uma escolha mais consciente e, a médio prazo, reduzir o número de pessoas que poderiam desenvolver doenças crônicas como hipertensão, obesidade e diabetes”, informou a nutricionista CecíliaRios.
É tendência diante das novas exigências, por exemplo, que alimentos que, ingeridos em excesso podem prejudicar a saúde, acompanhem ressalvas, como a seguinte: “Este alimento possuielevada quantidade de açúcar. O consumo excessivo de açúcar aumenta o risco dedesenvolver obesidade e cárie dentária”.
Entre as “pegadinhas” a que os consumidores devem estar atentos, apontados durante a palestra, estão porções consideradas para cálculos dos valores nutricionais que, nem sempre, condizem com a medida usual de consumo. Uma lata de Coca-Cola, na maioria das vezes, é consumida na sua totalidade pelo consumidor. No rótulo nutricional do produto, no entanto, a porção considerada é de 200 ml, ou seja, um copo.
A próxima Oficina de Nutrição na Clínica de Salvador será no dia 8 de março, às 19h, com palestra ministrada pelo nutricionista Lucas Valois, sobre o tema: Suplementos Esportivos – Indicações e Limitações.














