Testemunhos
A. L. – 30 anos (sexo feminino)
Eu estava com 80 kg, usando manequim 48, me sentindo a pior das mulheres, não conseguia nem olhar no espelho. Me sentia cansada , indisposta e comia tudo que passava na frente, não sabia viver sem os doces, chocolates e fast-foods.
Eu tinha consciência da minha compulsão alimentar, pois já havia ultrapassado todos os limites, mas eu não conseguia parar. Desde janeiro deste ano, fui umas três vezes a um endocrinologista que receitava fórmulas, mas mesmo assim não conseguia passar da quarta-feira, pois sempre começava na segunda-feira e no meio da semana, começava a comer achando que ia emagrecer assim mesmo, pura ilusão.
No dia 08/06/2009, fui à clínica pela primeira vez, já com todas as consultas marcadas. Tomei um susto quando fui informada que não comeria nenhum tipo de carboidrato. Enquanto aguardava entre uma consulta e outra imaginava se iria conseguir, se realmente valeria tanto a pena aquele investimento alto, pois a responsabilidade era muito grande. Jantei na clínica e vi que a comida além de gostosa era suficiente, pois fiquei realmente cheia com a quantidade oferecida e depois de participar do grupo terapêutico, então, fiquei encantada com tudo que ouvi dos pacientes e dos profissionais. Nesse mesmo dia, tive a certeza de que estava no lugar certo para me tratar e já comecei a traçar metas e fazer planos para um futuro muito próximo.
No decorrer do tratamento sempre me senti segura, tranqüila e sem nenhuma dificuldade em segui-lo, porque além de não sentir fome, a gente se desconecta totalmente da comida e aprende a vê-la com outros olhos, com olhos de pessoas magras. O grupo terapêutico é muito importante nesse momento, pois nos ensina, nos apóia, nos conforta e trocamos experiências com pessoas que vivem o mesmo que nós, a gente se vê em cada depoimento. É um prazer ir aos grupos e relatar cada quilo reduzido, que é parabenizado e aplaudido por todos.
Após 6 meses de tratamento, há um mês e meio em manutenção, com 23 kg reduzidos e usando manequim 38, me sinto vitoriosa por ter alcançado o meu peso ideal, que era um sonho distante. Agora, sou uma pessoa magra de corpo e alma e levarei este aprendizado para toda a minha vida, porque a felicidade e a auto-estima deste momento não tem preço.
“No mesmo dia que iniciei a dieta, tive a certeza de que estava no lugar certo para me tratar e já comecei a traçar metas e fazer planos para um futuro muito próximo”
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TF – 34 anos (sexo feminino)
Eu sempre fui gordinha, uma criança gorda e gulosa, uma adolescente cheinha, que vivia de dieta, uma adulta que vivia engordando e emagrecendo, com um sobrepeso que sempre me incomodou muito. Nunca me aceitei como uma gorda assumida e feliz. Me sentir gorda sempre foi motivo de mau humor, me ver vencida pela comida sempre gerou longos períodos de introspecção e gasto de energia mental.
Minha primeira dieta fiz com sete anos de idade. Emagreci sim, mas voltei a engordar. Desde então, meus pais sempre acreditaram que eu havia aprendido o caminho para emagrecer. Quando estava com 14 anos, consegui repetir a mesma dieta e voltei a emagrecer oito quilos. Com o tempo, fui ganhando peso novamente e continuei acreditando que poderia emagrecer quando quisesse, apesar da dificuldade de cumprir uma semana sequer de dieta e de estar cada dia mais longe do corpo que eu almejava.
Meu corpo nunca me gerou grandes traumas. Dançava quando era adolescente, tive uma juventude feliz, namorei, casei, tenho um filho, mas, apesar disso, minha auto-imagem nunca foi plena, era um entrave, o verão sempre foi um suplício, pois ir à praia significava encarar o meu corpo e admitir que era uma derrotada nesse assunto, afinal a comida sempre me venceu, sempre foi mais forte que meu sonho de beleza, magreza e bem estar. Sempre senti inveja das meninas de corpo bem feitinho, sem gorduras dobrando nas costas.
Quando ficava mal, pensava: vou passar fome e chegar aos meus sonhados 65 quilos. Era algo muito distante, que iria me exigir um sacrifício muito grande, mas era algo que eu teria que encarar mais cedo ou mais tarde, pois minhas calças já caminhavam para o número 46, no meu histórico familiar a obesidade estava lá, e com a chegada dos meus 30 anos, o quadro só prometia se agravar. Às vezes conseguia perder dois, três quilos, mas essa redução funcionava como um passaporte para que eu me permitisse comer novamente. Esse vai e vem me desgastava, me levava a altos e baixos constantes e às vezes se tornava muito duro encarar o espelho e não saber mais o que fazer. Foi quando já vivia esse mal estar há alguns anos que conheci o método de Ravenna através de Moema Soares, empresária da clínica baiana.
Para mim, não foi só uma dieta que deu certo, foi uma experiência de libertação. Não apenas porque me livrei de um corpo pesado e fora de forma, mas porque me libertei de um conflito, de uma angustia, de uma agonia que me acompanhava dia após dia.Me livrei de um lado sombrio da minha vida, que se despertava diante da mesa ou de frente para a geladeira.
Sem sofrer, não cheguei só até 65 quilos, cheguei até 61. Nos últimos sete meses, ouvi elogios de todos os lados e passei a me parabenizar também. Me parabenizo por ter sido inteligente de agarrar esse método, pois isso apenas já garante a vitória. Costumo dizer que o tratamento de Dr. Ravenna cria um ambiente tão confortável e favorável ao emagrecimento que, para reduzir de peso, basta se concentrar. Se concentrar em si, na medida, no corte, da distância, no desejo de se superar, de ser alguém diferente, de se conhecer e se surpreender consigo mesmo.
Até hoje, tem horas que ainda não acredito quando me olho no espelho, quando compro calças número 40, quando ouço pessoas me descrevendo como uma pessoa magra, quando me vejo nas fotos e gosto do que vejo, quando busco roupas para mostrar meu corpo e não mais para esconder, quando sou vista como um exemplo para os pacientes que estão começando. Posso estar com mil problemas, mas o fato de eu estar magra já me faz forte, já me dá motivos para comemorar todos os dias. Para os que estão ainda no começo, costumo dizer: agarre, é só agarrar que dá certo.
“Minha auto-imagem nunca foi plena, era um entrave, o verão sempre foi um suplício, pois ir à praia significava encarar o meu corpo e admitir que era uma derrotada nesse assunto”
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C.S. – 29 anos (sexo feminino)
“Emagreci dez quilos em dois meses, pode parecer pouco, mas estes quilos não devem ser minimizados. Devemos aprender que 10 quilos a mais é um montão. A diferença para 80 quilos a mais é só um número, porque no momento de sentir, sentimos o mesmo, independentemente dos quilos a mais que temos que reduzir…”
Um dia minha endocrinologista me disse “não te atendo mais, estou cansada de te passar dietas e pedir que você se cuide. Você está caminhando para obesidade e não consigo parar este seu processo.” Ela se levantou e abriu a porta. Quando ela disse que a minha direção era a obesidade, me assustei.
Ela mesma me recomendou Ravenna. Fui direto a uma cabine de internet e cheguei. Fiquei para o grupo informativo e este mesmo dia, paguei a inscrição. Participei dos Grupos Claves e freqüentei o Centro todos os dias.
O primeiro que me surpreendeu foi a serenidade que encontrei depois de meia hora após participar do meu primeiro grupo. Apresentaram-me um método que a meu ver é lógico. Propuseram que eu verdadeiramente me afastasse da comida. Não tinha que registrar o que comia e nem tinha que comer a cada duas horas. Também não tinha “permitidos” fora do tratamento no decorrer da semana. Quando escutei isto, disse: “isto é lógico e na realidade não tenho que estar dependente da comida”. Eu aumentava de peso com os outros sistemas. Contei a Liliana, minha coordenadora, “- confio em vocês. Vou fazer, pela primeira vez na minha vida, o tratamento sem interferir”.
Sempre lutei contra a gordura, era a típica que tinha três quilos a mais e vivia de dieta. Eram poucos quilos, mas não os resolvia. Mas, está vez foi diferente, vinha aumentando aos poucos e em dois anos, subi 10 quilos. Embora eu não tivesse registrado que era o caminho da obesidade, havia percebido que queria “parar” e não podia. Incomodava-me esteticamente e me pesava o corpo, me sentia cansada.
Quando aumentei, mudei em algumas coisas, sem perceber: estava sempre um passo atrás em tudo. Comecei a ver como estava vestida, sempre coberta. Minha forma de ser também tinha mudado. Estava apagada, agressiva e com meu companheiro me relacionava de outra maneira. Me sentia fora do sistema. Sentia que estava “afastada”, que já “não olhavam para mim”. Na verdade, a primeira sensação que eu tive quando comecei a emagrecer, foi à juventude.
Hoje tenho quase um ano em manutenção. Isto é outra história. Agora depende só de mim. Venho ao grupo de manutenção para aprender a manter-me e a ter um corpo magro fundamentalmente. Tenho que me cuidar porque existe algumas vezes que a “gorda”, ao ver que estou magra, “ressurge”.
Emagreci 10 quilos, mas não podem ser minimizados. Houve uma pessoa que sentou ao meu lado e me disse, “- para que está ocupando um lugar?”. Lhe disse, “- se você me visse comer, não me diria isto!”.
Devemos aprender que 10 quilos a mais é um montão. A diferença para 80 quilos a mais é só um número, porque no momento de sentir, sentimos o mesmo, independentemente dos quilos a mais que temos para reduzir.
“Tenho que me cuidar porque existe algumas vezes que a ‘gorda’, ao ver que estou magra, ressurge”
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A.P. – 23 anos (sexo feminino)
“Uma noite me assustei. Eu ia caminhando e vi o reflexo na parede de uma sombra atrás de mim. Achei que alguém estava me seguindo e acelerei o passo. Logo percebi que o reflexo era a minha própria sombra, mas agora de uma pessoa magra. Sorri e segui caminhando. Estava acostumada a ver minha sombra com 100 Kg a mais.”
O mesmo acontece quando me levanto de algum lugar e fica a marca da pessoa que estava sentada ali, e a vejo tão pequena… Em seguida me pergunto: “– Como pode ser, quem estava sentada ai era eu?”
Tenho 23 anos. Dia 04 de abril de 2006, cheguei ao Centro com 166,8 Kg. Hoje, depois de um pouco mais de uma ano, reduzi 100 Kg e estou em manutenção.
Todos me felicitam, e minha reação parece pouca efusiva. É que não me custou nada, para mim não foi trágico fazer a dieta.
Fui gorda desde criança. Mas importante que me ver obesa, sentia que era obesa. Eu comprava roupa de adultos. Não queria sair na rua, me chamavam de gorda. Sempre posava nas fotos atrás das outras pessoas, para que só aparecesse o rosto e nunca abraçava a ninguém, para que não me tocassem. No segundo grau, meus amigos desenhavam uma vaca no quadro negro da sala e faziam gozações com meu nome. Eu achava engraçado com eles, mas quando chegava em casa chorava muito. Isto sempre acontecia, chorava e não sabia o porquê estava triste. Às vezes dizia que era porque estava gorda, mas só que era da boca para fora, porque no momento de comer não me importava nada.
Sempre fui Alejandra, a que estava forte para todos, a que sempre dava conselhos. Ajudar os demais era a minha maneira de agradar, para que me aceitassem e também a forma de dissimular minha gordura, creio. Sempre a boa, a que fazia tudo, a que buscava tudo. Eu sempre estava bem, eu nunca necessitava nada dos demais. Eu nunca tinha problemas. Sempre me importava com o outro.
Eu não disse “- Basta! Por conta própria. Foram meus pais que me trouxeram ao Centro, porque conhecem os riscos da cirurgia bariátrica, depois que uma endocrinologista me encaminhou para que eu a fizesse a cirurgia. Segundo ela, eu não poderia emagrecer pelos meus próprios meios.
Quando cheguei aqui eu não tinha confiança em mim, quem meu deu foi Máximo e os coordenadores. Eles têm mais confiança que cada um vai poder baixar de peso, do que a própria pessoa. Não sei o que passou, não posso explicar. Não sei exatamente qual o momento que me deu o “Click”.
Ser obeso é ter uma incapacidade para tudo, para movimentar-se, para relacionar-se, para confiar. É viver trancado, ainda que saia na rua, você não é esta pessoa que está ai. Está imersa em outro lugar, no seu mundo e nada mais. E ainda que todo mundo seja importante para você, na realidade ninguém lhe importa.
Frequentei o Centro todos os dias, usei todas as ferramentas que me ofereceram, me juntei com um montão de gente, me apoiei em Andrea, que foi minha sustentação e quando não seguia por mim, seguia por ela. Simples assim, foi como reduzi os 100 Kg.
Agora Alejandra é parecida com a de antes, mas com muitas mudanças. Continuo me importando com o que acontece com o outro, mas já não vejo como condição para que me aceitem. Agora me valorizo mais, me conecto mais com minhas necessidades. Voltei a jogar basquete. Compro a roupa que eu gosto. Animo-me a paquerar alguém na rua e quando me retribuem, ainda que tímida, sustento o olhar. Todos me parabenizam pela minha redução de peso e minha reação é pouco efusiva. É que não me custou nada, não foi nada trágico fazer a dieta. Reconheço minhas mudanças, percebo o olhar surpreendido das pessoas quando não me reconhecem ou quando, na minha presença, perguntam ao meu pai por mim.
“Frequentei o Centro todos os dias, usei todas as ferramentas que me ofereceram, me juntei com um montão de gente e emagreci 100 quilos”
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